"Sempre tem alguém para estragar, não é?" Essa frase identifica bem o que aconteceu
ontem(06/06) na manifestação organizada pelos estudantes contra o aumento nas
tarifas do transporte público de São Paulo.
O que era para ser um válido protesto, transformou-se numa guerra devido
às atitudes inconsequentes de uma parte dos presentes no evento. Tais inconvenientes
proporcionaram o conflito com a polícia ao impor o vandalismo sobre as vias da
cidade e, por conseguinte, causar diversos danos ao patrimônio público – certas
vezes penso que as pessoas esquecem que aquele orelhão, aquele poste, aquele
metrô, nos quais atearam fogo, são nossos bens.
A iniciativa do movimento é louvável, visto que, além de tudo, nossa
sociedade se mostra cada vez menos ligada a esse tipo de ação. Todavia, é claro
que, mesmo sendo cometido por uma minoria, tal depredação mancha o verdadeiro
intuito do encontro. Fico me perguntando se esse baderneiros realmente
acreditam que o objetivo da reunião será alcançado por meio desse
quebra-quebra.
Outro ponto a ser levantado em relação ao acontecimento, revela-se na
abordagem da mídia, de um modo geral. O que se vê em destaque nos jornais não é
a proposta inicial da manifestação, mas sim as cenas do conflito entre as duas
partes, até pelo motivo de que tal furor foi justamente causado pelo embate. Com
isso, comprova-se, como exposto no parágrafo acima, que a reivindicação em si é
ofuscada pela briga generalizada. Dessa maneira, transfere-se a discussão
planejada para um ponto totalmente contrário e negativo. Há de se notar que, caso
a ordem fosse mantida, isto é, se não fosse constatado nenhum tipo de problema
no movimento, grande parte do público não tomasse conhecimento do fato, posto
que a notícia não seria vinculada com tanta relevância.
Hoje, os manifestantes voltarão às ruas para protestar. Espero que o
plano inaugural, juntamente com a ordem, seja mantido e que tiremos lições
sobre esse acontecimento, uma vez que a selvajaria em nada colabora para o andamento
do processo e, consequentemente, para o acordo pretendido. Com isso, a
população continuará a mercê de interesses que não têm importância social.
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