Na
última semana, a Folha de São Paulo
evidenciou os problemas no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo, o querido
MASP. A reportagem de sábado (09/11) mostra que o espaço foi tomado pelo
tráfico de drogas e seu consequente consumo. É dito, ainda, que “a Folha
flagrou rapazes que usavam maconha e a intensa troca de embrulhos entre eles.”
Além disso, fotos comprovam o uso de tais substâncias.
Bom,
em muitas das vezes que eu - ou algum conhecido – passei por lá, sempre foi
possível perceber a presença de pessoas alteradas, amedrontando e afastando
transeuntes. Com toda certeza, a Polícia Militar já sabia da presença desses
indivíduos naquela área antes da veiculação no jornal, até porque há uma base
da PM bem em frente ao museu, no outro lado da Avenida Paulista.
Parece-me
que o problema apenas é discutido na matéria, pois agora o mesmo vão-livre acolhe
a exposição fotográfica “A Terra vista do céu”. Pelo contrário, tal assunto
deveria ser debatido antes disso, uma vez que as ações dos dependentes eram
constantes anteriormente e já assustavam outros cidadãos. A evidência do
assunto se deu porque, com os traficantes e usuários ali, muitas pessoas
preferem não visitar as obras de arte e as fotografias, pois têm medo de
possíveis abordagens como é colocado na reportagem. “A coordenação afirma ainda
que diariamente visitantes e monitores são até coagidos por moradores de rua
que perambulam por ali.” Algo realmente muito grave, visto que o acesso à
cultura e ao entretenimento é cerceado por atitudes violentas que deveriam ser,
obviamente, corrigidas pelo poder público, em um trabalho conjunto entre
policiais e agentes de saúde.
A
“cara de pau” das autoridades é tanta que, mesmo com a base policial perto, o
fato “não é de conhecimento da Polícia Militar de São Paulo”, segundo a Folha. Como
isso é possível? Se não for, como escrevi, “cara de pau”, é um puro descaso com
o cidadão paulistano, revelando a incompetência de quem esperamos atitudes claramente
inerentes ao trabalho (como a repressão ao tráfico), todavia, não cumpridas.
Além
da falta de preocupação com os habitantes da cidade e com a saúde dos próprios
usuários, há um claro desprezo ante o patrimônio histórico: pichações podem ser
vistas ao redor do templo artístico. É triste ver um monumento como o MASP
tatuado com diversas frases, desenhos, assinaturas etc. Esse é o menor dos
problemas citados, é verdade. Você pode pensar: “Mas aí é só passar uma tinta e
está tudo certo”. Ok, verdade em partes. A nova pintura vai apagar as
pichações, no entanto, fica na memória de cada um a indiferença do Estado
perante a essa situação. Além do que, sabemos que em São Paulo é normal passar
a tinta por cima da pichação e pouco tempo depois ela estar de volta.
E, infelizmente,
parece que estamos indo na contra mão do correto: cada vez mais nos acostumamos
com tudo isso. Não seria hora de mudar?
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