quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Até quando?


Na última semana, a Folha de São Paulo evidenciou os problemas no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo, o querido MASP. A reportagem de sábado (09/11) mostra que o espaço foi tomado pelo tráfico de drogas e seu consequente consumo. É dito, ainda, que “a Folha flagrou rapazes que usavam maconha e a intensa troca de embrulhos entre eles.” Além disso, fotos comprovam o uso de tais substâncias.

Bom, em muitas das vezes que eu - ou algum conhecido – passei por lá, sempre foi possível perceber a presença de pessoas alteradas, amedrontando e afastando transeuntes. Com toda certeza, a Polícia Militar já sabia da presença desses indivíduos naquela área antes da veiculação no jornal, até porque há uma base da PM bem em frente ao museu, no outro lado da Avenida Paulista.

Parece-me que o problema apenas é discutido na matéria, pois agora o mesmo vão-livre acolhe a exposição fotográfica “A Terra vista do céu”. Pelo contrário, tal assunto deveria ser debatido antes disso, uma vez que as ações dos dependentes eram constantes anteriormente e já assustavam outros cidadãos. A evidência do assunto se deu porque, com os traficantes e usuários ali, muitas pessoas preferem não visitar as obras de arte e as fotografias, pois têm medo de possíveis abordagens como é colocado na reportagem. “A coordenação afirma ainda que diariamente visitantes e monitores são até coagidos por moradores de rua que perambulam por ali.” Algo realmente muito grave, visto que o acesso à cultura e ao entretenimento é cerceado por atitudes violentas que deveriam ser, obviamente, corrigidas pelo poder público, em um trabalho conjunto entre policiais e agentes de saúde.

A “cara de pau” das autoridades é tanta que, mesmo com a base policial perto, o fato “não é de conhecimento da Polícia Militar de São Paulo”, segundo a Folha. Como isso é possível? Se não for, como escrevi, “cara de pau”, é um puro descaso com o cidadão paulistano, revelando a incompetência de quem esperamos atitudes claramente inerentes ao trabalho (como a repressão ao tráfico), todavia, não cumpridas.

Além da falta de preocupação com os habitantes da cidade e com a saúde dos próprios usuários, há um claro desprezo ante o patrimônio histórico: pichações podem ser vistas ao redor do templo artístico. É triste ver um monumento como o MASP tatuado com diversas frases, desenhos, assinaturas etc. Esse é o menor dos problemas citados, é verdade. Você pode pensar: “Mas aí é só passar uma tinta e está tudo certo”. Ok, verdade em partes. A nova pintura vai apagar as pichações, no entanto, fica na memória de cada um a indiferença do Estado perante a essa situação. Além do que, sabemos que em São Paulo é normal passar a tinta por cima da pichação e pouco tempo depois ela estar de volta.

E, infelizmente, parece que estamos indo na contra mão do correto: cada vez mais nos acostumamos com tudo isso. Não seria hora de mudar?