Incrível.
Assim podemos definir o jogo de ontem entre Brasil e Espanha. Claro que essa explicação
é para os torcedores da seleção tupiniquim, já que os europeus devem estar
abismados até agora com o que ocorreu na final.
O
time espanhol ficou marcado, nos últimos anos, pela magia em seu toque de bola,
com craques como Iniesta e Xavi (que não fez uma grande Copa das Confederações)
comandando esse modo de jogar. Entretanto, a equipe brasileira conseguiu o que
eu (e muitos) ainda não tinha visto: anular o estilo de jogo dos espanhóis.
Estes, sobretudo na primeira etapa, não foram capazes de ditar o ritmo da
partida e, consequentemente, levar grande perigo ao gol de Júlio César. E
quando os jogadores da “Fúria” tinham o domínio da bola, abusavam dos passes
errados – isso, em grande parte, deve-se à pressão exercida pelos brasileiros,
que diminuíam os espaços dos rivais.
Juntamente
com os quesitos abordados acima, André Rizek, comentarista do Sportv, abordou
uma questão que vale a reflexão. Para ele, o gol de Fred, nos minutos iniciais
do jogo, foi importante não apenas por colocar nosso time à frente do marcador,
mas também por, de certa forma, desestabilizar os espanhóis, pois estes não
estão acostumados a sair atrás do placar. E isso se mostra na realidade. Eles sempre, como disse, mantêm um amplo poder
da posse de bola, configurando a maior possibilidade de concluir em gol e, por
conseguinte, alterar o marcador.
Entretanto,
mesmo com esse conjunto de aspectos listados, há de se temer a Espanha. Afirmo
aqui que, caso a bola chutada por Pedro – e afastada por David Luiz – cruzasse
a linha de nosso gol, o andamento da partida se daria de uma forma totalmente
diferente de como se concretizou. Logo após esse lance, o 4º belo gol de Neymar
no campeonato serviu para acalmar a apreensiva torcida com uma possível reação
espanhola.
Já no 2º tempo, o que vimos, mesmo
com mais outro gol do apressado (para o nosso bem) Fred, foi um jogo mais
aberto, com uma Espanha sedenta por um tento para colocar fogo na partida. É
humanamente impossível impor o mesmo (fortíssimo) ritmo durante os 90 minutos.
Assim, percebeu-se mais espaços vagos, contribuindo para os ataques
adversários, que paravam em nosso goleiro. Concomitantemente, esses “vazios” colaboraram
para as arrancadas do menino do moicano, culminando na loucura da zaga
espanhola e na expulsão de Piqué.
Mesmo
com as possibilidades ofensivas, os atuais campeões do mundo permaneceram sem
imprimir sua principal característica: o toque de bola. Pode-se notar isso
pelas estatísticas da posse de bola, onde os donos da casa conseguiram realizar
a tarefa que todos (eu inclusive) consideravam praticamente impossível. O grupo
brasileiro conseguiu superar os índices de posse de bola dos rivais. Ao final
da partida, o Brasil cravou a marca de 51% do tempo de jogo com a bola em seus
pés.
Todavia,
mesmo com todos os méritos do time brasileiro, pode-se aferir que o cansaço
prejudicou os europeus. Vale recordar que no duelo válido pela semifinal,
contra a Itália, o jogo se prolongou para os pênaltis, isto é, além dos 90
minutos do tempo normal, conta-se 30 minutos referentes aos dois tempo de
prorrogação. Ademais, lembremos que a temporada europeia já acabou, ou seja, os
jogadores estão com seus corpos esgotados. Claro que boa parte dos brasileiros
jogam na Europa e passam pela mesma situação, no entanto, há importantes jogadores
(Fred, Neymar, Paulinho etc.) no plantel que estão apenas na metade da
temporada. É preciso entender que a intenção não acha uma desculpa para a
derrota, mas que isso sirva para entender, em partes, o comportamento desses
jogadores.
Nesses tempos, onde há um
reviravolta na situação (vide que ninguém esperava um placar de tamanha
elasticidade) aparecem muitas pessoas criticando o trabalho do derrotado,
querendo desmerecer e julgar todo o trajeto da Espanha através de uma partida.
Conclusões do tipo “Eu sabia que eles só ficam de toquinho para trás”, não
fazem o menor sentido. Duvido que uma equipe que joga com “toquinho para trás”
fosse bicampeã da Eurocopa e campeã da Copa do Mundo de 2014, tendo como
equipe-base retirada do elenco do Barcelona, considerado ainda, por muitos, como
o melhor time do planeta.
Creio que essa disputa de ontem servirá de aprendizado
para os espanhóis, culminando em um amadurecimento e uma melhora significativa no
desempenho para o mundial do ano que vem. Já para nossa seleção, esse combate
deve servir de exemplo e modelo. Se continuarmos com o empenho e com a
dedicação mostrados no Maracanã, poderemos, novamente, alcançar o topo do
futebol. Porém, há um longo caminho a ser percorrido, não é porque ganhou-se o
evento-teste que faturaremos a Copa de 2014. Então, é necessário exterminar a
soberba e a empáfia que dominou muitas gerações de nossa arte, causando grandes
desastres no futebol nacional.
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