Acabei de assistir o quadro "Vai fazer o
quê?", recentemente incluído no programa Fantástico, que demonstra
situações encenadas por atores profissionais nas ruas e busca capturar as
reações dos transeuntes.
Nesta semana, a atração retratou uma cena na qual um idoso,
claramente debilitado, é mau tratado por sua cuidadora. Confesso que, mesmo
sabendo que a situação era falsa, fiquei atônito com as atitudes da
(ir)responsável pelo senhor. Entretanto, ao mesmo tempo, senti-me orgulhoso
daqueles que intervieram na relação representada.
Na verdade, nem orgulhoso eu deveria estar, pois a
indignação manifestada pelas pessoas, ao ponto de discutir ou até mesmo PENSAR na possibilidade de partir para a
violência física como foi colocado na matéria, deveria ser algo comum, isto é,
intrínseco ao Homem. Não consigo entender- e acho que realmente não há
explicação - como algum ser racional tem a capacidade de maltratar um indivíduo
impossibilitado, na maioria das vezes, de se defender e que, normalmente,
convive com outros problemas, como doenças que agravam essa fragilidade.
O mesmo Fantástico apurou no início do ano que, em todo o
Brasil as acusações de maus tratos contra idosos triplicaram entre 2011 e 2012.
Além da violência física, os seguintes crimes são campeões de denúncias:
negligência, violência psicológica, abuso financeiro e econômico e, por fim, o
abandono.
Só o fato de agressão da cuidadora exposto pelo programa já
é digno de consternação, todavia, há ainda mais. A reportagem informa
que "em mais da metade das denúncias, o principal suspeito da
agressão é o próprio filho. Quando não é ele, é o neto da vítima."
Realmente não há como compreender. Não se pode confiar nem
mesmo no próprios parentes. Estes, que possuem a tarefa de
cuidar de seu semelhante, revelam-se seres sem escrúpulos e mal
agradecidos, uma vez que foram criados por esses que agora sofrem com a
ignorância de seus afins.
Choca-se também com a conduta dos cuidadores, pois, como a
própria palavra diz, eles são pagos para CUIDAR e zelar pela saúde de seu
"cliente". Quando se contrata um profissional dessa área, imagina-se
que ele seja uma pessoa preparada para exercer tal função, contudo, em
grande parte das vezes, enganamo-nos e entregamos a vida de um ente querido às
mãos de desalmados.
Os tipos de crimes mencionados acima, mesmo que
corriqueiros, na maior parte das vezes, não se dão em lugares abertos, mas sim
dentro da casa da vítima, por exemplo. Então você pode pensar que, em nosso
cotidiano, não presenciamos o desrespeito perante os idosos. Pois é aí que
você, leitor, engana-se.
Creio que a espécie mais clara de desconsideração quanto os
anciões esteja presente diariamente em nossas vidas. Quem nunca notou - em
um ônibus, metrô, trem etc. - a imobilidade de indivíduos(suficientemente
capazes de aguentar uma viagem em pé), quando algum(a) senhor(a) entra no
transporte? Muitos, inclusive, fingem que estão dormindo apenas para não ceder
o espaço(lembre-se que por lei, certos assentos são dedicados a pessoas de
certas categorias, como idosos, gestantes etc.).
Portanto, não há erros apenas nos que
abusam violentamente de forma direta. Sim, digo de forma direta, porque
qualquer forma citada acima é uma maneira violenta, mesmo que
indiretamente, de se tratar um idoso. Temos que consertar nossas deficiências
e aprender a respeitar aqueles que possuem maior sabedoria e experiência que
nós!