segunda-feira, 29 de julho de 2013

Indignação é a palavra!

Acabei de assistir o quadro "Vai fazer o quê?", recentemente incluído no programa Fantástico, que demonstra situações encenadas por atores profissionais nas ruas e busca capturar as reações dos transeuntes.

Nesta semana, a atração retratou uma cena na qual um idoso, claramente debilitado, é mau tratado por sua cuidadora. Confesso que, mesmo sabendo que a situação era falsa, fiquei atônito com as atitudes da (ir)responsável pelo senhor. Entretanto, ao mesmo tempo, senti-me orgulhoso daqueles que intervieram na relação representada.

Na verdade, nem orgulhoso eu deveria estar, pois a indignação manifestada pelas pessoas, ao ponto de discutir ou até mesmo PENSAR na possibilidade de partir para a violência física como foi colocado na matéria, deveria ser algo comum, isto é, intrínseco ao Homem. Não consigo entender- e acho que realmente não há explicação - como algum ser racional tem a capacidade de maltratar um indivíduo impossibilitado, na maioria das vezes, de se defender e que, normalmente, convive com outros problemas, como doenças que agravam essa fragilidade.

O mesmo Fantástico apurou no início do ano que, em todo o Brasil as acusações de maus tratos contra idosos triplicaram entre 2011 e 2012. Além da violência física, os seguintes crimes são campeões de denúncias: negligência, violência psicológica, abuso financeiro e econômico e, por fim, o abandono.

Só o fato de agressão da cuidadora exposto pelo programa já é digno de consternação, todavia, há ainda mais. A reportagem informa que "em mais da metade das denúncias, o principal suspeito da agressão é o próprio filho. Quando não é ele, é o neto da vítima."

Realmente não há como compreender. Não se pode confiar nem mesmo no próprios parentes. Estes, que possuem a tarefa de cuidar de seu semelhante, revelam-se seres sem escrúpulos e mal agradecidos, uma vez que foram criados por esses que agora sofrem com a ignorância de seus afins.

Choca-se também com a conduta dos cuidadores, pois, como a própria palavra diz, eles são pagos para CUIDAR e zelar pela saúde de seu "cliente". Quando se contrata um profissional dessa área, imagina-se que ele seja uma pessoa preparada para exercer tal função, contudo, em grande parte das vezes, enganamo-nos e entregamos a vida de um ente querido às mãos de desalmados.

Os tipos de crimes mencionados acima, mesmo que corriqueiros, na maior parte das vezes, não se dão em lugares abertos, mas sim dentro da casa da vítima, por exemplo. Então você pode pensar que, em nosso cotidiano, não presenciamos o desrespeito perante os idosos. Pois é aí que você, leitor, engana-se.

Creio que a espécie mais clara de desconsideração quanto os anciões esteja presente diariamente em nossas vidas. Quem nunca notou - em um ônibus, metrô, trem etc. - a imobilidade de indivíduos(suficientemente capazes de aguentar uma viagem em pé), quando algum(a) senhor(a) entra no transporte? Muitos, inclusive, fingem que estão dormindo apenas para não ceder o espaço(lembre-se que por lei, certos assentos são dedicados a pessoas de certas categorias, como idosos, gestantes etc.).

Portanto, não há erros apenas nos que abusam violentamente de forma direta. Sim, digo de forma direta, porque qualquer forma citada acima é uma maneira violenta, mesmo que indiretamente, de se tratar um idoso. Temos que consertar nossas deficiências e aprender a respeitar aqueles que possuem maior sabedoria e experiência que nós!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Espanha sem posse de bola...



Incrível. Assim podemos definir o jogo de ontem entre Brasil e Espanha. Claro que essa explicação é para os torcedores da seleção tupiniquim, já que os europeus devem estar abismados até agora com o que ocorreu na final.
O time espanhol ficou marcado, nos últimos anos, pela magia em seu toque de bola, com craques como Iniesta e Xavi (que não fez uma grande Copa das Confederações) comandando esse modo de jogar. Entretanto, a equipe brasileira conseguiu o que eu (e muitos) ainda não tinha visto: anular o estilo de jogo dos espanhóis. Estes, sobretudo na primeira etapa, não foram capazes de ditar o ritmo da partida e, consequentemente, levar grande perigo ao gol de Júlio César. E quando os jogadores da “Fúria” tinham o domínio da bola, abusavam dos passes errados – isso, em grande parte, deve-se à pressão exercida pelos brasileiros, que diminuíam os espaços dos rivais.

Juntamente com os quesitos abordados acima, André Rizek, comentarista do Sportv, abordou uma questão que vale a reflexão. Para ele, o gol de Fred, nos minutos iniciais do jogo, foi importante não apenas por colocar nosso time à frente do marcador, mas também por, de certa forma, desestabilizar os espanhóis, pois estes não estão acostumados a sair atrás do placar. E isso se mostra na realidade.  Eles sempre, como disse, mantêm um amplo poder da posse de bola, configurando a maior possibilidade de concluir em gol e, por conseguinte, alterar o marcador.
Entretanto, mesmo com esse conjunto de aspectos listados, há de se temer a Espanha. Afirmo aqui que, caso a bola chutada por Pedro – e afastada por David Luiz – cruzasse a linha de nosso gol, o andamento da partida se daria de uma forma totalmente diferente de como se concretizou. Logo após esse lance, o 4º belo gol de Neymar no campeonato serviu para acalmar a apreensiva torcida com uma possível reação espanhola.
            Já no 2º tempo, o que vimos, mesmo com mais outro gol do apressado (para o nosso bem) Fred, foi um jogo mais aberto, com uma Espanha sedenta por um tento para colocar fogo na partida. É humanamente impossível impor o mesmo (fortíssimo) ritmo durante os 90 minutos. Assim, percebeu-se mais espaços vagos, contribuindo para os ataques adversários, que paravam em nosso goleiro. Concomitantemente, esses “vazios” colaboraram para as arrancadas do menino do moicano, culminando na loucura da zaga espanhola e na expulsão de Piqué.
Mesmo com as possibilidades ofensivas, os atuais campeões do mundo permaneceram sem imprimir sua principal característica: o toque de bola. Pode-se notar isso pelas estatísticas da posse de bola, onde os donos da casa conseguiram realizar a tarefa que todos (eu inclusive) consideravam praticamente impossível. O grupo brasileiro conseguiu superar os índices de posse de bola dos rivais. Ao final da partida, o Brasil cravou a marca de 51% do tempo de jogo com a bola em seus pés.
Todavia, mesmo com todos os méritos do time brasileiro, pode-se aferir que o cansaço prejudicou os europeus. Vale recordar que no duelo válido pela semifinal, contra a Itália, o jogo se prolongou para os pênaltis, isto é, além dos 90 minutos do tempo normal, conta-se 30 minutos referentes aos dois tempo de prorrogação. Ademais, lembremos que a temporada europeia já acabou, ou seja, os jogadores estão com seus corpos esgotados. Claro que boa parte dos brasileiros jogam na Europa e passam pela mesma situação, no entanto, há importantes jogadores (Fred, Neymar, Paulinho etc.) no plantel que estão apenas na metade da temporada. É preciso entender que a intenção não acha uma desculpa para a derrota, mas que isso sirva para entender, em partes, o comportamento desses jogadores.
            Nesses tempos, onde há um reviravolta na situação (vide que ninguém esperava um placar de tamanha elasticidade) aparecem muitas pessoas criticando o trabalho do derrotado, querendo desmerecer e julgar todo o trajeto da Espanha através de uma partida. Conclusões do tipo “Eu sabia que eles só ficam de toquinho para trás”, não fazem o menor sentido. Duvido que uma equipe que joga com “toquinho para trás” fosse bicampeã da Eurocopa e campeã da Copa do Mundo de 2014, tendo como equipe-base retirada do elenco do Barcelona, considerado ainda, por muitos, como o melhor time do planeta.
        Creio que essa disputa de ontem servirá de aprendizado para os espanhóis, culminando em um amadurecimento e uma melhora significativa no desempenho para o mundial do ano que vem. Já para nossa seleção, esse combate deve servir de exemplo e modelo. Se continuarmos com o empenho e com a dedicação mostrados no Maracanã, poderemos, novamente, alcançar o topo do futebol. Porém, há um longo caminho a ser percorrido, não é porque ganhou-se o evento-teste que faturaremos a Copa de 2014. Então, é necessário exterminar a soberba e a empáfia que dominou muitas gerações de nossa arte, causando grandes desastres no futebol nacional.