Cerca
de 1 semana antes do primeiro protesto contra o aumento da tarifa no transporte
público de São Paulo, estava eu passando em frente à prefeitura do município e
lá estavam alguns poucos indivíduos conclamando a população para o evento que
se espalhou por diversos estados do Brasil. Eles esboçavam sua insatisfação
através dos megafones e da distribuição de panfletos. Alguns destes, foram
disponibilizados para os passageiros do ônibus no qual eu estava. A partir daí,
borbulharam opiniões sobre o assunto. Permaneci calado, apenas escutando as
ponderações dos passageiros. Entretanto, já considerava esse debate como
encerrado, posto que nunca imaginei – e creio que (quase) ninguém imaginava –
que a manifestação teria essa adesão gigantesca observada por todos nós e que,
por conseguinte, houvesse uma pressão pública de tal grandeza.
Critiquei
bastante os primeiros protestos. Primeiramente, porque eles foram acompanhados de
atos de vandalismo – de uma minoria, claro – ante os patrimônios privado
e, sobretudo, público, ou seja, o bem de todo o povo. Aqueles que depredam as
lixeiras e picham os ônibus são os mesmos que pagarão o conserto das
consequências de suas atitudes impulsivas. Outro motivo para minha crítica se
revelou na inexplicável repressão da polícia contra os manifestantes,
jornalistas e cidadãos que estavam simplesmente em locais próximos aos atos.
Já
o manifesto do dia 17/06, ao qual 65 mil pessoas aderiram, expressou a
verdadeira abordagem que deve ser utilizada nos protestos. A população deu uma
aula de civilidade, demonstrando que é possível contestar de forma pacífica,
não exigindo a intervenção policial. Infelizmente, quando a grande maioria dos manifestantes
já tinha voltado para suas casas, alguns baderneiros derrubaram um dos portões
do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo. Mesmo assim,
prevaleceu a ação da IMENSA maioria,
expressando os desejos dos brasileiros, e não apenas dos paulistanos, pois,
como muitos dizem, não se trata mais de uma briga a favor da revogação do
aumento do preço das passagens, mas sim de uma luta contra a corrupção, a
educação deficitária, a saúde sucateada, a má qualidade dos transportes, os
altos gastos na construção de estádios etc.
Vale
ressaltar que não sou contrário aos eventos que ocorrerão no nosso país. Antes,
porém, sou favorável a investimentos em áreas que requerem tal medida. Se, ao
menos, estes fossem aplicados juntamente com a construção de arenas, ok.
Contudo, o que se nota, na maior parte dos estados, senão em sua totalidade, pode
ser traduzido em uma palavra: precariedade. Vemos a população a mercê de
problemas – nada recentes – para os quais há solução, no entanto, é ignorada pelos governantes. Para os turistas,
o Brasil não mostra sua cara de verdade, pelo contrário, se mascara.
Como
bem disse Pedro Bial, não bastam estádios “padrão FIFA”, o que os brasileiros
querem é segurança “padrão FIFA”, saúde “padrão FIFA”, educação “padrão FIFA”,
enfim, ESTRUTURA “padrão FIFA”.
Para
o “gigante acordar” de vez, os protestos são insuficientes. Para ocorrer essa
mudança que todos nós almejamos, é necessário que pensemos na hora do voto. São
as urnas que constatarão a transformação de nosso povo.
Muitos
comparam as manifestações aos atos pelo impeachment, na década de 90, do ex-presidente
Fernando Collor de Melo. Embora estes exponham a força de cada um de nós, ficou
claro que após terem o pedido atendido, a grande maioria se calou, deixando de
protestar contra todas as irregularidades existentes em nossa nação. Isto é,
durante o “Fora Collor” também era dito que o “Brasil tinha acordado”, não obstante,
continuamos elegendo políticos despreparados que colocam em primeiro plano interesses
pessoais. Por isso, fica em minha cabeça a seguinte questão: caso o aumento da
tarifa seja anulado, o protesto continuará, mesmo que em menor proporção? Espero
que sim, porque só assim grandes mudanças ocorrerão na espinha dorsal de nosso
país.